O seu topónimo medieval seria «Vide de Foz de Piódão». Segundo o Prof. Dr A. Nogueira Gonçalves, o seu topónimo vem do termo Pio ou Pia, relacionado com a topografia do local.

Conta uma lenda local que um fora-da-lei fugiu para a aldeia e aí enviou uma carta à familia, onde refere que estaria no pior do mundo, daí resultando o nome de Piódão.

A primeira referência a Piódão surge com o Numerando Joanino em 1527, promovido por D.João III. Nesta época a aldeia encontrava-se nos limites do concelho de Avô, como «Casal do Piódão» e teria dois moradores (duas familias).

Na Idade Média os habitantes implantaram-se num local apelidado de Casas de Piódam. É a partir deste núcleo que se desenvolve uma comunidade apoiada que se desenvolve uma comunidade apoiada na agricultura e na apicultura. Este espaço fazia parte do extinto concelho de Lourosa. Era muito quente, o que levou à propagação de formigas. Assim, a povoação foi abandonada e alguns habitantes teriam então ocupado o espaço que hoje é denominado Piódão.

Com a extinção do concelho, a partir de 1855, Piódão passou a integrar o concelho de Arganil.

A partir do século XVIII, Piódão torna-se um grande centro cultural da Beira Interior, com a formação do Colégio de Piódão, dirigido pelo Pe. Manuel F. Nogueira.

A partir do século XIX, a inacessibilidade deste espaço é quebrado com a construção da estrada real que ligava a Covilhã a Coimbra, permitindo a circulação de mercadorias.

No séc. XVI é efectuada a escultura de Nossa Senhora da Conceição para a Igreja Matriz.

No século seguinte sabe-se que seria curato de apresentação anual do cabido da Sé de Coimbra. Em 1676-1679 é fundada a freguesia de Piódão, altura de que possuímos os registos paroquiais de baptismo como documentação.

Povoação classificada como imóvel de interesse público pelo Dec-Lei nº 95/78 de 12 de Setembro, é sede de freguesia, pertencente ao concelho de Arganil, distrito de Coimbra.

Dista de Arganil, aproximadamente 41 kms. A sua Festa Anual (a de S. Pedro) realiza-se a 29 de Junho.

 

Ex-libris da Beira Serra, é o cartão de visita de todo o concelho de Arganil, a par da Princesa do Alva. Esta singela aldeia situa-se numa zona montanhosa, próxima do local onde a Serra do Açôr atinge o seu ponto mais alto, a 1.340 metros. Hoje a aldeia do Piódão é uma referência a nível nacional. Nos últimos anos, com a ajuda de verbas comunitárias, têm sido feitas obras de conservação do seu património arquitectónico, corrigidos alguns abusos que foram praticados no seu aspecto tradicional, feito o saneamento básico, electricidade, canalização de águas ao domicílio.

Esta aldeia apresenta uma localização privilegiada: na encosta de um vale profundo, isolado, onde a riqueza das pastagens justificava a viagem às terras mais baixas. Seria para estas pastagens que viriam os lusitanos com os seus rebanhos, local onde se podiam esconder dos romanos. Assim, alguns fixaram-se neste local. A inacessibilidade da terra levou ainda a que se tornasse o refúgio de foragidos à justiça, como foi o caso de Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de Inês de Castro.

 

A Igreja Paroquial tem aproximadamente 400 anos e o autor do projecto de construção foi o Cónego Manuel Fernandes Nogueira (1890). No exterior, tem a imagem de Nossa Senhora da Conceição e quatro colunas construídas em pedra trabalhada, bem como os rendilhados subjacentes às colunas.

Junto à igreja existiu um convento cisterciense, possivelmente construído entre os séculos XV/XVII, com remodelações nos séculos posteriores. Actualmente, deste nada resta. Atrás da Igreja Matriz encontra-se uma habitação com data de 1868, na Rua Pe. Ilídio Portugal.
Na Capela de São Pedro, localizada no Lg. de São Pedro, encontra-se uma imagem do século XVI. O imóvel possui um portal recente e a empena é encimada por uma cruz latina. A torre do sino encontra-se no telhado e foi construída em xisto. Próximo da Capela de S. Pedro, localiza-se a Eira Comunitária, em laje de xisto, onde é malhado o centeio. Existe ainda uma Fonte, a dos Algares, também ela toda construída em xisto. Trata-se de um pequeno chafariz com um arco ogival.

 

Interior das casas de xisto - Divisões em madeira de castanho, serrada manualmente. Apenas um dos dois andares era dividido. O outro era amplo e servia para colocar milho, batatas, feijão... As cozinhas são de lareira funda com um tabuão de madeira à volta, que servia de banco, nas noites frias, para toda a família.

Exterior das casas de xisto - Construídas de rocha e barro (argila), com cobertura de lousa ou xisto. As Janelas seriam de guilhotina e as torsas dos vãos em madeira, sendo alguns raros exemplares de granito. As cruzes que podemos ver nas portas são para protecção contra trovões, uma invocação a Santa Barbara. Devido à inclinação do terreno, as habitações aproveitam uma área de ocupação de espaço muito reduzida, com grande altura, geralmente dois pisos. Contrastando com o xisto, temos cores pintadas nos aros das portas e das janelas. A cor que impera é a azul, cor do céu. Conta-se que a única loja da aldeia só tinha de uma cor, devido à sua inacessibilidade. Contudo, sabemos que nas aldeias, na Idade Média e Moderna, era comum pintarem-se os aros das portadas da cor do céu, o azul, e da terra, o castanho.
 

aprincesadoalva.com