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tFonseca e Sousa De vez em quando. |
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Publicado em: 07-09-2008 | Titulo: Novas fronteiras |
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A chamada silly season está moribunda. Começa a época das vindimas, do doce mosto e suas preparações, das vindimas que bailam mais do que no olfacto, dançam mais na vista que as alcança, no tacto que as pega e dançam ainda, muito, na alegria total dos que vivem e sentem essa pitoresca azáfama das nossas terras! Bem sabemos que já não é como foi mas, mesmo assim, ainda há um cheirinho de antanho. Mas, dizíamos nós que a estação do descanso está no fim. E, por consequência, recomeçam, se é que alguma vez terminaram, todas as actividades que de politicas se podem chamar, e onde se poderá incluir também – lato sensu -a actividade singular de cada um, inserido numa polis determinada – como é esta nossa casa lusitana. Nas “frases de ontem” do jornal de hoje, secção que o jornal Público mantém diariamente, pode ler-se uma citação do “Jornal de Notícias” a propósito de um texto de Batista-Bastos: “Dificilmente acreditamos no discurso político. (...) Nada nos encaminha para o júbilo. Tudo nos empurra para o desencanto. E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral”. Por outro lado, na capa desse mesmo jornal Público grandes parangonas dizem-nos que “Altos responsáveis da Estradas de Portugal decidem negócios com empresas privadas sob o seu controlo”. E isto, caros leitores, deixa-nos, naturalmente, muito entristecidos. Sabemos que a vida custa a todos, e que ela está cada vez mais difícil, mais pesada, mais penosa. Mas também sabemos que “tudo nos empurra para o desencanto”. “E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral”. E a verdade é que nós acreditamos. Mas gostaríamos de começar a ver, pelo menos a sentir, que em Portugal iam diminuindo os golpes de asa dos chico-espertos, daqueles que vêm sempre numa impossibilidade legal uma grande possibilidade de a contornar ao arrepio das normas morais, éticas, sociais e legais. Custa tão pouco para que Portugal seja um grande, entre os grandes países! Vamos tendo infra-estruturas, vamos tendo novas mentalidades, vamos tacteando o progresso. É verdade, temos matéria prima: temos cientistas dos maiores a nível mundial; temos escritores dos maiores à escala planetária; temos médicos, advogados, engenheiros, trabalhadores da construção ao nível do que de melhor há em todo o mundo! Mas também temos em abundância o que impede um país de se transformar, de liderar o progresso e de possibilitar o bem-estar e a felicidade a todos os portugueses. Desde logo, ainda possuímos um grande lote de mentalidades velhas, onde se insere a inveja, a corrupção, a mentira, a jogada saloia, e depois temos uma diferença descomunal na detenção do dinheiro: o leque salarial, que deveria diminuir, está cada vez mais largo. Se calhar por via disso, dessa endémica situação, temos batalhões de homens e mulheres numa luta sem quartéis, batalhando por uma vida de qualidade para eles e para os seus – mas utilizando métodos que nos levam a pensar como Batista-Bastos: “tudo nos empurra para o desencanto.” Há a pobreza, a miséria mesmo, que vai galopando, o desemprego e as frustrações, os roubos, as quadrilhas de bandidos cada vez em maior número... E Portugal vai continuando adiado. Adiado, também nas garras do crime, da violação da lei, da especulação e de posturas de “gente responsável” irremediavelmente condenáveis. E a nível dos partidos políticos?
É pena dizê-lo, mas vão sendo raros os casos em que a cupidez, a vil luta
descarada, sem normas, de alguns pela posse de determinados lugares, a
jogada, ainda é tolhida; imperam, por isso, as situações dos que,
atabalhoadamente e a qualquer preço, acotovelando todos em seu redor,
pisando competências e boas-fés, chegam finalmente ao lugar almejado na
administração pública. Valendo-se sempre da passividade daqueles que, não
precisando de se ultrajar e de se arrojar, de se vilipendiar, seguem o seu
caminho natural. No entanto, há que fazer uma grande depuração. Sabemos que é muito difícil pois mexe com a consciência das pessoas, também com as suas necessidades básicas, mas é urgente que ela se inicie. Porque senão, como dizia Batista-Bastos: “tudo nos empurra para o desencanto”. “E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral”. E nós ainda somos dos que acreditam no Portugal do Futuro, ainda temos Esperança nos Homens. A chamada silly season está moribunda. Mas, valha-nos pelo menos isso, eis que começa a época das vindimas, do doce mosto e suas preparações, que bailam mais do que no olfacto, e que dançam na vista e na alegria total dessa pitoresca azáfama das nossas terras! Será que vamos abrir Novas Fronteiras?! Ou continuaremos encerrados nas velhas?
O tempo o dirá, e nós vamos estar atentos.
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