COJA
Um pouco de história
Sede de Freguesia do Concelho de Arganil, foi outrora sede de Concelho. Contudo, o Decreto de 31 de Dezembro de 1853, consumou a a sua extinção.
Faziam parte do concelho, as freguesias de Vila Cova do Alva, Benfeita, Cerdeira e Barril de Alva . Em 18 de Janeiro de 1854, realizou-se a última reunião da Câmara Municipal de Coja, que foi presidida por Jerónimo da Fonseca e Sousa e dela participaram também os vereadores António Mendes Ferrão, José Gonçalves da Fonseca e Domingos de Abreu [Ler Acta].
Povoação de origem remota. Encontram-se ainda grandes vestígios de ocupação romana e árabe. A exploração de ouro de aluvião e chumbo, bem como a boa fertilidade dos solos, terão constituído o motivo principal para a fixação das populações. Procurando organizar a defesa da linha fronteiriça do Mondego e da Serra da Estrela, contra as incursões muçulmanas, foi edificado na zona denominada por «Paço» um castelo (data da época de D. Teresa) que desempenhou no sistema defensivo, um papel muito importante, abrigando os homens de armas do bispo, que asseguravam o exercício dos seus poderes senhoriais na região. A vila de Coja tem uma fisionomia e uma morfologia muito adequada à sua situação geográfica.
Inicialmente, Coja desenvolveu-se junto à foz da Ribeira da Mata, donde que o centro desta comunidade era, por certo, o castelo, que albergava o poder da época (alcaide, clero). A confluência dos cursos de água e a possibilidade da supra citada fertilidade dos solos, estarão, por certo, no condicionamento da morfologia do traçado actual da vila de Coja.
Topónimo
Pinho Leal, no Portugal Antigo e Moderno, Vol. II páginas 358-359, diz que este nome de Coja vem do árabe, e significa «cidade do pretor». Santa Rosa de Vierbo, no seu Elucidário, voc. Pretor, diz que o pretor era alcaide-mor e senhor absoluto das terras que lhe eram cometidas. E cita Velascus Palais, Preator Colimbriae (1183) e D. Stephanus, Alcaide de Castelo Branco (no Foral de Castelo Branco, dado pelos Templários).Num documento dirigido ao concelho de Lisboa, em Agosto de 1204, aparece o pretor de Lisboa. Vê-se, assim, que nesta época ainda existia o cargo de pretor, porventura como sobrevivência de um semelhante cargo entre os romanos com a designação de praetor, ou entre os árabes com a designação de copje.
Efectivamente, se Coja era conhecida por vila ou localidade de pretor, é porque era uma espécie de capital de província. Se de facto os romanos tiveram em Coja um pretor, o cargo terá sido mantido pelos árabes, donde, na tradução árabe, terá vindo o topónimo Coja.
Na Enciclopédia Luso-Brasileira
...É povoação muito antiga. Existe um documento de Lorvão, datado de 1121, pelo qual Suaria (Soeiro) e sua mulher, Eva, fazem doação ao mosteiro de Lorvão da sua vinha em Telhado, junto a Coja, «cum sua Ecclesia, quae jacet in medio de illa vinea, et cum suo pomare, et cum suo lagare».
(...) Existe na freguesia um grandioso e antigo paço, que foi residência dos bispos de Coimbra, donatários da vila, e que aos seus títulos juntavam os de senhores de Coja. É de crer que este senhorio tivesse algumas restrições visto que a vila teve foral novo de D. Manuel.
Em Coja nasceu D. José Alves Matoso, que foi bispo da Guarda.
O Brasão
Encontra-se publicado no Diário da República o diploma que oficializa o brasão, bandeira e selo da freguesia de Coja.
O desenho do brasão, (e respectiva descrição temática) foram aprovados em Assembleia de Freguesia de 29 de Abril de 1994, e contou com a participação do nosso colaborador Nuno Mata, no que concerne à sua criação pictórica.
Como símbolo, o brasão deverá ser conhecido e entendido por todos, para que todos possam explicá-lo a quem, porventura, questione o porquê dos seus elementos. Por isso, deixamos neste espaço, a razão de cada um dos desenhos inscritos.
O brasão é encimado por quatro torres já que corresponde a uma vila, sede de freguesia. Distingue, portanto, povoações de hierarquia diversa. A cor de fundo, o verde, representa as culturas cerealíferas dos campos da Ribeira da Mata e a influência da Serra na vila de Coja. As duas chaves passadas em aspa, com os palhetões para cima, atestam a fidelidade do castelão de Coja a D. Sancho II nas lutas que este travou com D. Afonso III (seu irmão) e que resultariam no arrasamento do Castelo.
O Pelourinho, apresentado a prata, atesta a importância administrativa que Coja possuía enquanto concelho; monumento manuelino, é um dos mais importantes da vila.
O crescente de pontas viradas para cima e a estrela de cinco pontas em chefe encontra-se no brasão por ser um dos elementos simbólicos de um dos selos de tipo iconográfico de D. Egas Fafes, reconstrutor de Coja e a quem devemos a atribuição do nosso primeiro foral, em 12 de Setembro de 1260.
A ponte, para além de ex-libris da vila, lembra a sua função como meio de ligação entre Coja e outras regiões, para além de representar a sua importância na defesa da vila aquando das invasões francesas.
Finalmente, as faixetas onduladas que aparecem debaixo da ponte, duas a prata e uma a azul representam a exploração aurífera do Rio Alva, um dos motivos que teria atraído a fixação das populações (faixetas a prata) e a importância dos dois cursos de água que banham a vila, o Alva e a Ribeira da Mata como outro motivo determinante na fixação desses povos primitivos (faixeta a azul).
A Freguesia
A freguesia de Coja
compreende, para além da sua sede (Coja) mais 9 aldeias e lugares: Casal Mourão, Esculca, Vale do Carro, Machorro, Pai Espada, Vale Peitalva, Pisão, Medas e Salgueiral. Os historiadores não têm, até ao momento, dedicado grandes estudos a estas aldeias e lugares sendo o conhecimento histórico dos mesmos muito restrito. De qualquer modo sabe-se alguma coisa que aqui registamos. Num estudo realizado pelo Padre Dr. António Dinis relativo a Espariz e a propósito de um cadastro da população do reino realizado a pedido de El Rei D. João III, em 1527, a Esculca apresentava 17 moradores e o Pisão apenas 4 e nenhuma das outras povoações eram mencionadas, porventura por serem inexistentes à época ou por terem uma expressão demográfica inferior à da Esculca. Anos mais tarde, em 1758, o Índice Geográfico das Cidades, Vilas e Paróquias de Portugal refere as capelas de S. Lourenço (Esculca), S. Simão (Medas) e Espírito Santo (Salgueiral).
Esculca
Aldeia altaneira a 3 km de Coja e de onde se poderá avistar uma vasta região da Estrela ao Caramulo, de S. Pedro Dias à Lousã, deriva no seu topónimo de scuta, termo militar romano para posto de vigia, bem adequado à sua posição geográfica. Teria sido, então, local de vigia de inimigos, sobretudo para a defesa do Castelo de Coja e adianta-se, pelo topónimo, que este posto de vigia já existira na época romana, provavelmente como auxiliar de defesa da estrada romana que passava na falda da encosta onde se situa a aldeia. Nesta aldeia ainda resiste o fabrico artesanal das famosas “colheres de pau”, feitas em madeira de pinho. A sua capela de construção moderna é dedicada a S. Lourenço.
Vale do Carro
A 1 km da sede de freguesia, é um pequeno lugar outrora ponto de passagem da estrada romana que vinda de Avô continuava para a Lomba do Canho (Arganil), importante acampamento militar romano. Alguns achados arqueológicos encontrados na aldeia ao acaso pressupõem que a realizar-se uma escavação mais cuidada poderia trazer à luz do dia outras páginas da História de Coja e de Portugal.
Machorro
Situa-se a caminho de Arganil a cerca de 4 km de Coja. O seu topónimo tem origem agrária, ao passo que os lugares próximos de Pai Espada e Vale Peitalva continuam um mistério, porventura por se tratarem de povoações recentes e que podem resultar da pré-existência de pequenas quintas agora aumentadas com mais fogos habitacionais
Pisão
É a primeira das aldeias da freguesia. A 3 km de Coja, resultou da existência no local de um pisão de linho (entretanto desaparecido), engenho hidráulico para o tratamento daquele vegetal e que situava nas margens da Ribeira da Mata que por ali passa.Por norma e devido ao barulho dos batentes, os pisões localizavam-se distantes da povoação principal e perto de um curso de água. Por isso o Pisão também é conhecido por Pisão de Coja. Desta aldeia são naturais alguns grandes vultos da cultura portuguesa, dos quais destacamos os contemporâneos: o historiador José Mattoso e o escritor João Alves das Neves. Da sua arquitectura releva-se a capela, com interessantes estatuetas de porcelana no telhado, uma casa brasonada da família Figueiredo, outras residências com interesse arquitectónico e a Fonte de S. Miguel.
Medas
Cujo topónimo significa conjunto de montões e Salgueiral, que deriva de salgueiro, água ou escorrência, fecham as aldeias e lugares da freguesia.
Casal Mourão
A meio caminho entre Coja e a Esculca, poderá antever a existência ou a passagem de Mouros, de acordo com o seu topónimo e pelo facto de sabermos que este povo por aqui deambulou e fixou em tempos idos. Não tem mais do que 3 ou 4 casas de habitação.

Igreja Matriz
construída durante o período de Oitocentos
Ponte antiga
visão nocturna da ponte sobre o Rio Alva
Caneiro
Praia fluvial cojense servida pelo Rio Alva